Página em branco e lápis na mão. A minha mente começa a vaguear, procurando bem dentro dos confins esquecidos, passados ou simplesmente fechados da minha memória por algo em que possa facilmente, e ao mesmo tempo nostálgicamente, desgastar o carvão.
Por certo não irei falar de temas triviais à condição humana, essses assuntos são apenas pequenos restos de poeira no caminho desgastado que uma vida vai transportando nos seus pés, à medida que avança pela longa estrada do tempo, que por sua vez parece não ter fim, até fatal buraco no caminho nos faça tropeçar, já que a maioria de nós não tem os olhos postos no chão, mas sim em frente.
Mas divago, onde ia? Ah sim... O papel sujo fica e este velho lápis mais curto aparenta ficar, à medida que, escrevendo o que sai desta incompreensível cabeça, tento encontrar um tema que valha tão tremendo discurso filosófico de amador escritor, que nem os simples prazeres da vida teve o direito de desfrutar, não querendo isto dizer, que não tenha criado uns para desfruto próprio.
O leitor a este ponto tem todo o direito de se perguntar o que fez para arranjar, no meio de tão bela rotina diária que todos levamos, o tão precioso tempo para entrar na mente do condenado, do triste e do demente. Bem, se ainda na presença desta linha do divagar te encontras, é sinal que muito possivelmente estejas a tentar desvendar o que te tenho para dizer, ora, porque outra razão estarei a gastar tão escasso papel, ou inútil lápis?
A verdade, é que de nós, apenas a minha mão e todos os seus dedos sabem do que estou a escrever, pois já se faz tarde, e de tanto pensar ao longo do dia, me encontro extremamente desgastado.
Mas a mão sabe! E quem sou eu para lhe negar seu desejo, aliás, considero uma honra estar ao seu serviço, do tanto que me dá em troca, ao deliciar-me o ouvido com mais uma das suas magníficas interpretações musicais, era de esperar já ter retribuído o favor.
Já se faz tarde... Tentarei de novo amanhã, que do tanto que gostaria de dizer, não consigo expressá-lo de momento. Mas porque será? Não deveria ser tão complicado, todos pensamos, todos falamos, porque não escrever? O que têm o papel e o carvão de tão diferente com o som que sai de nossas gargantas?
Talvez não devessse escrever com esta minha mão, nem de tão pouco com confusa cabeça, mas sim com este meu fragilizado coração. Dizem que resulta, quem sabe?
Veremos...
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