segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Alma inquieta


Distância e silêncio.
Confusão e arrependimento.
Saudade e tormento.
Saudade, palavra portuguesa,
que na sua própria beleza,
nos traz nostalgia,
uma paz e uma alegria,
de memórias, dizia...

O sol nasce,
a lua desce.

Contando os dias,
contando as noites...

Vendo as semanas passarem,
vendo as aves no céu voarem,
vendo as vidas de pessoas correndo,
vendo-me sozinho dizendo,
e sem pensar perguntando,
se aquele que se diz destino,
apenas para seu deleito,
se da minha vida vai brincando,
como tímido
pequeno
miúdo.

Mas eu luto!
E dia após dia tento
contrariar-me,
enganar-me,
aproximar-me.

De ti,
de mim,
de nós.
A tua face...
a tua voz...

Acalma-te alma inquieta!

sábado, 23 de outubro de 2010

Inútil

Escrever sem pensar... um feito que considero inútil e completamente idiota. No entanto, ao deixar correr a imaginação e por consequente, o lápis sobre o papel, por vezes encontro algo que de outra forma não descobriria. Segredos escondidos dentro do meu ser e do meu pensar que saiem inconscientemente para fora, ao tentar mais uma vez criar algo que apenas serve para ocupar espaço (que segredos são estes, não sei, deixo o mistério para o leitor descobrir). Verdade seja dita, nem todas as pessoas que passam por nós ao longo do dia, agem de acordo com aquilo que verdadeiramente são, ou que desejam.
Não. Pelo contrário. Pensam antes de agir. Tomam todas as hipóteses e deliberam todas as consequências. Por vezes, chegam a concretizar o que a mente contraria...merda. Falta de vontade própria é pura maldição, que envolvido numa mentira cobre as mentes fracas.
Admito, que por vezes agi... ou melhor, não agi, por medo, por pensar. Que vida a minha, que ao voltar atrás e vasculhar em acontecimentos passados na minha memória, me apercebo que se não levasse todo o acontecimento e eventualidade para o pensamento racional, poderia ser mais feliz.
Sim, mais feliz. Penso eu...
Não. Estarei-me a iludir? Tudo acontece por uma razão, e recuso-me a pensar o contrário. Destino, palavra muitas vezes mal interpretada, pobre coitada. Coincidências? Duvido... Tantos exemplos poderia aqui contar para suportar tão eloquente teoria, mas o tempo é pouco, e o papel escasso. Além disso, nem todos os exemplos do mundo poderão mudar a opinião de todos. A mente é como um relógio. Quando criado, é-lhe dado corda, e a partir desse momento bate. Bate bate sem cessar. Sempre na mesma direcção. Isto é... caso alguém não decida intervir, lançando-a ao rio.
Mas para quem estou eu a escrever? Completamente inútil. Escrever sem pensar não leva nem a mente mais brilhante a qualquer conclusão, nem a filosofias, morais, lições, ou qualquer outro tipo de ensino ou realização de ordem superior.
Sem pensar, como poderei criar algo de valor?
Inútil.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Amor


O amor é de ninguém, e é de todos,
ao querermos amar e ser amados.
Saber que existimos,
e que de certa forma, especiais somos,
aos nossos olhos e ao dos outros...

Todos queremos,
todos merecemos,
todos vivemos,
todos sofremos,
todos renascemos,
todos.

O amor acontece,
nasce,
desvanece,
reaparece.

O amor existe,
é alegre,
pobre,
e triste.

Isto é o amor, e tão simples que é amar...
Amor, um milagre difícil de explicar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Estações


Marcando o início de uma era,
a primeira folha de árvore de jardim
deixa-se cair lentamente,
beijando o chão silenciosamente,
preparando extensa estrada vermelha,
que aparenta não ter fim.

Logo depois a terra fica coberta,
e se veste com vaidade
de um branco cintilante,
trazendo um frio congelante,
e um sentido de paz e calma,
que o coração de todos nós invade.

Com o calor, sem vergonha se despe,
e aproveitando a abundante luminosidade,
de todas as cores se enche o chão,
as flores que escondidas até então,
o vento que cuidadosamente as mexe,
e a chuva que sobre elas se abate.

E agora? O Verão que mais poderia ser?
O calor abrasador,
e o descanso longamente esperado.
Aventureiro, viajarei pelo mundo,
e pararei aqui de escrever,
agradecendo a tão paciente leitor.

domingo, 3 de outubro de 2010

Felicidade

Não querendo parecer uma pessoa triste, muito pelo contrário, considero-me uma pessoa feliz, vim a aperceber-me ao longo do tempo que verdadeira felicidade é coisa que não existe, e que toda a felicidade ou é egoísta ou ignorante.
Já todos ouvimos falar bem da expressão " Ignorância é felicidade ", e mais correcto não poderia estar, afinal de contas, se soubesses que um amigo teu estivesse doente, estarias feliz? Na verdade, se nunca viesses a saber do mesmo, continuarias no teu estado de felicidade anterior.
Como é que a felicidade se pode tornar egoísta? Pois, muitos de nós não pensa realmente nesta questão que continuadamente devasta o mundo inteiro. A fome, as guerras, a pobreza, a doença, todos nós sabemos que existe, mas no nosso dia-a-dia não damos importância a essas questões, já que nos encontramos ocupados a tentar passar por mais um dia de trabalho, estudo, ou algo mais, com nós mesmos e a com a nossa vida. Com tanto mal que acontece no mundo, como é que alguém pode dizer que se encontra verdadeiramente feliz, se "próximo" de nossa casa, se encontra alguém triste com a vida que tem?

Pensem e reflictam... deixem a vossa opinião com um comentário.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mãos dadas


Verdade mais não poderá ser dita,
já que o que digo verídico é,
e nada mais.
Descrevendo então começo,
a situação que confuso se torna,
num dia de calor intenso,
me vejo a caminhar silenciosamente
por um trilho de terra poeirenta,
calmo e lentamente,
pensando em tudo e em nada.

Subimante, como que por acaso,
pura e simplesmente paro,
tanto no meu andar como no meu pensar,
parei.

E apenas com a minha presença fiquei.

Sem me conseguir mover,
o meu corpo começou a desistir,
querendo apenas a este sítio se cingir,
e para sempre, permanecer.

Ora, tudo isto estranho parece,
sem revelar pedaço importante,
neste evento que vos estou a revelar,
pois na verdade,
caminhando à minha frente se encontrava,
certo casal que,
apesar de desconhecido,
já o tinha visto em toda a parte.

Qual o pior será,
o de ver apenas paisagem bela,
sabendo que ao teu lado alguém se econtra,
ou observar esse mesmo par,
o horizonte juntos a contemplar?

Pois para mim,
é a terceira pessoa,
que contempla a visão mais triste...